Palavras & Versos

















17/07/2008 10:09

UM LINDO POEMA DE HELENA DE SOUSA FREITAS



enviada por Antonio C. Menezes


13/07/2008 21:53

enviada por Antonio C. Menezes


26/06/2008 21:28

MAIS UM TEXTO POÉTICO DE JORGE LUIS BORGES





ARGUMENTUM ORNITHOLOGICUM

Fecho os olhos e vejo um bando de pássaros. A visão dura um segundo, talvez menos; não sei quantos pássaros vi. Era definido ou indefinido seu número? O problema envolve o da existência de Deus. Se Deus existe, o número é definido, porque Deus sabe quantos pássaros vi. Se Deus não existe, o número é indefinido, porque ninguém conseguiu fazer a conta. Nesse caso, vi menos de dez pássros (digamos) e mais de um, mas não vi nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três ou dois pássaros. Vi um número entre dez e um, que não é nove, oito, seis, cinco et cetera. Esse número inteiro é inconcebível; ergo, Deus existe.

(Jorge Luis Borges - do livro: O Fazedor - tradução:Josely Vianna Baptista)

enviada por Antonio C. Menezes


04/06/2008 09:59

POEMA DA AMIGA MACYRA SOTERO





Poema à Chuva


Procuro alguém que assim como eu
goste de chuva...
Não só da chuva que cai , fina e constante,
mas da chuva de temporais, de raios e trovões.
Alguém que goste do após chuva
das ruas enlameadas, do vento no rosto,
das poças d´água e do cheiro da terra molhada...
Procuro alguém que não se sinta triste porque chove
mas saiba ver a beleza triste da chuva.
Procuro alguém que dispense guarda-chuvas
e saiba sorrir criança com a chuva no rosto...
Alguém que sabendo viver a chuva
saiba também apreciar uma chávena de chá ou café
no clima da chuva e da companhia
por trás das vidraças embaçadas.

(Macyra Sotero - é de Recife)

enviada por Antonio C. Menezes


04/06/2008 09:50

DO POETA E ESCRITOR PORTUGUÊS JOSÉ LUÍS PEIXOTO




(foto da internet)

NINGUÉM

nenhum lugar se escuta no lugar onde não existes.
aqui, não há sequer o teu esquecimento. há palavras
que não te negam. crescemos sem esperar nada de ti.

se és o silêncio, nós não conhecemos o silêncio. se és
a solidão, és inútil. o que existe longe de nós não é a
nossa casa. nós suportamos as paredes da nossa casa.

nenhum tempo pode esquecer o tempo que te esqueceu.
agora, a música repete outros rostos. os instantes não
se lembram de ti. o horizonte tenta proteger-te do medo.


AMOR

o teu rosto à minha espera. o teu rosto
a sorrir para os meus olhos. existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras. vêes-me
sorrir. brisas incendeiam o mundo.
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos.
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas.
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.


ENCANTAMENTO

há uma palavra mágica que se diz. essa palavra
é sempre diferente. montanha, precipício, brilho.
essa palavra pode ser um olhar. a voz. um olhar.

essa palavra pode ser o espaço de silêncio onde
mão se disse uma palavra. brilho, , montanha.
essa palavra pode ser uma palavra, qualquer palavra.

há uma palavra mágica que se diz. há um momento.
depois dessa palavra, só depois dessa palavra,
pode começar o amor.


EXPLICAÇÕES DA ETERNIDADE

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

*(José Luís Peixoto - do livro: A Casa, a Escuridão - Edição: Temas e Debates/Lisboa-Portugal)

enviada por Antonio C. Menezes


24/04/2008 21:36

SYLVIA PLATH





CONTUSÃO

A mancha inunda o local, roxo imundo.
O resto do corpo a onda limpa,
Cor de pérola.

Na fissura da rocha
O mar suga obsessivamente
Essa fenda, eixo do mar inteiro.

Do tamanho de uma mosca,
A marca da desgraça
Se espalha pelo muro.

O coração se fecha,
O mar se afasta,
Pano nos espelhos.

(Sylvia Plath - do livro:Poemas - tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça)

enviada por Antonio C. Menezes


19/04/2008 20:01

Mais um poema de Jorge Luis Borges





ENTARDECERES

A clara profusão de um poente
enaltece a rua,
a rua aberta como um vasto sonho
para qualquer acaso.
O límpido arvoredo
perde o último pássaro, o ouro último.
A mão andrajosa de um mendigo
agrava a tristeza dessa tarde.

O silêncio que mora nos espelhos
forçou seu cárcere.
A escuridão é o sangue
das coisas feridas.
No ocaso incerto
a tarde mutilada
foi umas pobres cores.

(Jorge Luis Borges - do livro: Primeira Poesia - tradução:Josely Vianna Baptista)


enviada por Antonio C. Menezes


09/04/2008 22:25

VIVA A POESIA !!!

AUSÊNCIA

Hei de edificar a vasta vida
que mesmo agora é teu espelho:
toda manhã hei de reconstruí-la.
Desde que te afastaste,
tantos lugares se tornaram inúteis
e sem sentido, como
luzes no dia.
Tardes que foram nicho de tua imagem,
músicas em que sempre me esperavas,
palavras daquele tempo,
eu terei de quebrá-las com minhas mãos.
Em que profundezas esconderei minha alma
para que não enxergue tua ausência
que como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitiva e impiedosa?
Tua ausência me cerca
como a corda o pescoço.
O mar em que naufraga.


(Jorge Luis Borges - do livro: Primeira Poesia - tradução: Josely Vianna Baptista)

enviada por Antonio C. Menezes


08/04/2008 19:27

CARLOS PENA FILHO





PARA FAZER UM SONETO

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.

Ai, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.

Se não procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe levá-lo a correnteza

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza
ponha tudo de lado e então comece.


CARLOS PENA FILHO - (Recife, 17 de maio de 1929 — Recife, 1 de julho de 1960) foi um poeta brasileiro, considerado um dos mais importantes poetas pernambucanos da segunda metade do século XX depois de João Cabral de Melo Neto. Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, em frente à qual hoje se encontra o busto do poeta. Teve sua carreira prematuramente encerrada em virtude de sua inesperada morte em 1960, quando ele ainda estava com 31 anos de idade.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/ wiki/Carlos_Pena_Filh
enviada por Antonio C. Menezes


08/04/2008 19:08




JARDIM

Valetas,
serras ásperas,
dunas,
sitiadas por arfantes singraduras
e pelas léguas de tempestade e areia
que se aglomeram no fundo do deserto.
Em um declive está o jardim.
Cada arvorezinha é uma selva de folhas.
Em vão fazem-lhe o cerco
os estéreis cerros silenciosos
que apressam a noite com sua sombra
e o triste mar de inúteis verdores.
Todo o jardim é uma luz amena
que ilumina a tarde.
O jardinzinho é como um dia de festa
na pobreza da terra.

(Jorge Luis Borges - do livro: Primeira Poesia - tradução: Josely Vianna Baptista)
enviada por Antonio C. Menezes


06/04/2008 13:08




AMOROSA ANTECIPAÇÃO

Nem a intimidade de tua fronte clara como uma festa
nem o hábito de teu corpo, ainda misterioso e tácito
e de menina,
nem a sucessão de tua vida assumindo palavras ou silêncios
serão favor tão misterioso
quanto olhar teu sonho envolvido
na vigília de meus braços.
Virgem miraculosamente outra vez pela virtude do sono
que absolve,
calma e resplandecente como a alegria que a memória elege,
vais me dar essa margem de tua vida que tu mesma não tens.
Lançado no silêncio,
fitarei essa praia última de teu ser
e hei de te ver pela primeira vez, quem sabe,
como Deus há de ver-te,
a ficção do Tempo dissipada,
sem o amor, sem mim.

(Jorge Luis Borges - do livro: Primeira Poesia - tradução: Josely Vianna Baptista)
enviada por Antonio C. Menezes


06/04/2008 10:39




UM DIA ACORDARÁS

Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,

a janela abrirás, devagarinho:
fará nevoeiro e tu nada verás...
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste, em um sorriso
triste, te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te para o teu assombro:

- Não te assustes de mim, que sofro há tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor...

(Mário Quintana)
enviada por Antonio C. Menezes


06/04/2008 10:34




selvagem desejo

do jeito que eu gosto
tu me chegas à noite na cama
em chamas!

(antonio carlos menezes)

enviada por Antonio C. Menezes


02/04/2008 17:43



JORGE LUIS BORGES

UMA DESPEDIDA

Tarde que solapou nosso adeus.
Tarde afiada e prazerosa e monstruosa como um anjo
obscuro.
Tarde em que viveram nossos lábios na intimidade nua
dos beijos.
O tempo inevitável transbordava sobre o abraço inútil.
Juntos dissipávamos paixão, não para nós, mas para
a solidão já próxima.
A luz nos afastou; a noite chegara de repente.
Fomos até o portão com a seriedade da sombra que
agora uma estrela atenua.
Como quem volta de um prado perdido eu voltei
de teu abraço.
Como quem volta de um país de espadas eu voltei
de tuas lágrimas.
Tarde que dura vívida como um sonho entre as outras
tardes.
Depois fui alcançando e ultrapassando noites
e singraduras.

(Jorge Luis Borges - do livro: Primeira Poesia - tradução: Josely Vianna Baptista)


enviada por Antonio C. Menezes


26/03/2008 21:44
QUANDO TE VI, AMEI-TE JÁ MUITO ANTES.
TORNEI A ACHAR-TE QUANDO TE ENCONTREI.
NASCI PARA TI ANTES DE HAVER O MUNDO.


(Fernando Pessoa)
enviada por Antonio C. Menezes





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